Cibersegurança, questões tributárias e geopolítica preocupam líderes jurídicos brasileiros

Os dados são da edição de 2026 do Global Disputes Forecast, estudo anual conduzido por Baker McKenzie em cooperação com o Trench Rossi Watanabe

Os riscos ligados à tecnologia e dados, incluindo avanços da inteligência artificial, cibersegurança e questões de privacidade, são a maior preocupação de líderes jurídicos corporativos no Brasil. Os dados são da edição de 2026 do Global Disputes Forecast, estudo anual conduzido por Baker McKenzie em cooperação com o Trench Rossi Watanabe, que ouviu 600 líderes jurídicos globais – incluindo 100 brasileiros.

De acordo com o levantamento, 86% dos brasileiros apontam riscos ligados à tecnologia e dados como um risco relevante para o aumento de disputas legais, percentual superior à média global de 80%. O dado, afirma o estudo, reflete o avanço acelerado da IA no ambiente corporativo, o aumento da sofisticação dos ataques cibernéticos e a intensificação da regulação sobre o uso e a proteção de dados pessoais.

Flávia Rebello, sócia da área de Tecnologia, Dados e Propriedade Intelectual do Trench Rossi Watanabe, diz que a tecnologia deixou de ser “apenas um facilitador de negócios” e passou a representar um risco real para as empresas. “No Brasil, esse movimento é ainda mais evidente, tanto pela crescente digitalização das operações quanto pelo fortalecimento da fiscalização das obrigações regulatórias em matéria de dados”, afirma.

Questões tributárias A segunda maior preocupação global têm sido as questões tributárias, segundo o Global Disputes Forecast. O risco é impulsionado pela crescente coordenação entre autoridades fiscais, pela aplicação de regras internacionais como o Pilar Dois da OCDE e pela maior visibilidade pública das controvérsias tributárias. No Brasil, as questões tributárias também são riscos relevantes, apontados por 13% dos executivos, tanto para disputas quanto para investigações. A esse cenário internacional, segundo o estudo, se soma um ambiente tradicionalmente litigioso e um período de adaptação a mudanças relevantes no sistema tributário, em especial a implementação da reforma tributária.

“As disputas tributárias hoje envolvem reputação, governança e coerência com compromissos públicos das empresas. Em um contexto de maior cooperação internacional entre Fiscos, a forma como a companhia se posiciona e se prepara para essas controvérsias é cada vez mais estratégica”, avalia Cláudio Moretti, sócio-líder da área Tributária do Trench Rossi Watanabe.

A geopolítica e seus efeitos sobre a política comercial são outro risco que preocupa os diretores jurídicos brasileiros. Por aqui, 77% dos entrevistados veem a geopolítica e a política comercial como ameaça relevante – percepção que se reflete globalmente, especialmente entre empresas com operações internacionais. O levantamento mostra que sanções, tarifas, controles de exportação e mudanças abruptas de alinhamento político têm ampliado o risco de disputas comerciais e investigações. Todos esses aspectos têm impactos diretos sobre contratos, cadeias de suprimentos e fluxos comerciais.

“O que vemos é uma mudança estrutural no perfil das disputas. Elas deixaram de ser questões isoladas para se tornarem situações complexas, que combinam risco jurídico, regulatório, reputacional e operacional ao mesmo tempo. No Brasil, isso é ainda mais sensível em setores expostos a cadeias globais, dados e regulação intensa”, afirma Marcio Polto, sócio-líder da área de Resolução de Disputas do Trench Rossi Watanabe.

Fonte: Valor Econômico

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